quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Quinta da Bacalhoa


É considerada um dos primeiros exemplos da arquitectura renascentista em Portugal. Da primitiva construção gótica, de 1427, pertencente ao Infante D. João (filho de D. João I) , restam apenas algumas abóbodas em ogiva.

A actual casa e os muros que a cercam foi mandada contruír em 1480, por D. Brites, filha do Infante D. João. Nos cantos dos muros erguem-se torreões que lembram os da Torre de Belém.

Em 1528, a Bacalhoa foi vendida a Brás de Albuquerque, filho iliegítimo de Afonso de Albuquerque. O novo proprietário, influenciado epal arquitectura renascentista que florescia em Itália, manda ornamentar a quinta e o palácio com azulejos de diversos estilos e proveniências, conferindo-lhe o ar renascentista que hoje encanta a todos que lá visitam.

Azeitão


A nobreza descobriu Azeitão no século XV e por ali ficou a desfrutar a sua beleza e tranquilidade rural até ao início do século XIX. Atraídos pela caça e pela pesca abundantes que existiam na região, os fidalgos utilizaram as riquezas provenientes das camapanhas da Índia e do Brasil na contrução de palácios de campo, verdadeiros centros de lazer onde passavam longas temporadas.

Assim surgiram as quintas brazonadas e os palacetes que pontuam as aldeias de Azeitão.No entanto, muito antes da Corte ter adoptado Azeitão como centro de veraneio, os árabes já tinham constatado que o clima ameno e a vegetação luxuriante desta região eram um paraíso para os sentidos e para o corpo humano.

Jaime Cortesão chegara a citar que esta zona era "um fresco lugar de recreio e vilegiatura de senhores árabes, ou melhor, berberes arabizados". A vila que fora substituída por Sintra e Cascais como centro de lazes com o advento do caminho-de-ferro e do automóvel, volta agora a ser procuradas pelas classes urbanas.

Actualmente a Rua José Augusto Coelho é o coração urbano de Vila Nogueira de Azeitão. É ali que está concentrada toda a activivdade económica da vila: as mercearias, as lojas de artesanato, os cafés, os restaurantes, a venda de jornais, o mercado de hortícolas, frutas e peixe, as fábricas de José Maria da Fonseca, a empresa de vinhos mais antiga de Portugal.

Mesmo os monumentos mais emblemáticos da Vila, o Palácio dos Duques de Aveiro, o Chafariz dos Pasmados e a Igreja de S. Lourenço, encontram-se praticamente na berma da rua principal.Os monumentos, como o degradado Palácio dos Duques de Aveiro, o imponente Chafariz dos Pasmados, são a face visível da permanência da nobreza, mas o que mais evoca a presença dos príncipes, marqueses, duques, condes e altos funcionários da Corte é a atmosfera requintada que impregna esta região pontuada de palácis aristocratas.

A atmosfera aristocrática que envolve Azeitão assume maior expressão em Vila Fresca. É aqui que se encontram as Quintas da Bacalhoa e das Torres, exemplos perfeitos da Quinta de refresco e prazer um que a natureza domesticada se expressa em jardins e lagos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Casa do Corpo da Guarda


Mandado construír por João Nunes da Cunha nos de 1650, foi remodelado ao mesmo tempo que o edifício camarário, no reinado de D. João V (devido ás danificações causadas pelo terramoto de 1755).

Albergou soldados, funcionando como Posto Militar e dependência do Distrito de Recrutamento Militar até 1993.Em termos estéticos: é um edifício de dois pisos comportando arcos de volta perfeita, sendo que o ritmo e a escala das aberturas do seu pórtico e das janelas do primeiro andar revelam equilíbrio harmonioso que o tornam, apesar das suas modestas dimensões, um dos edifícios mais nobres da Praça do Bocage.

Contíguo a esta construcção encontra-se desde 1738, um dos muitos Passos da Procissão da Paixão dispersos pela cidade. Esta construcção sucedeu a uma capela anexa ao edifício, que tinha como orago Nossa Senhora da Conceição.

Quanto á sua autoria, suspeita-se de um Arquitecto da época pertencente á Ordem de Santiago: João Baptista Barré.

Forte da Arrábida


O Forte de Santa Maria, situado na encosta da Serra da Arrábida, fazia parte de uma vasta linha de defesa da costa, agora designada de costa azul.
Esta costa é compreendida entre a zona metropolitana de Lisboa e o litoral alentejano, até à ilha do Pessegueiro.
As primeiras fortificações desta linha a serem construídas foram algumas praças muçulmanas, das quais apenas o Castelo de Palmela e o Castelo de Sesimbra sobreviveram até hoje.
Articulando acções de defesa com estes dois castelos, encontrava-se uma fortificação medieval denominada Castelo de Coina-a-Velha, da qual restam apenas ruínas.
Construído no ano de 1676, logo após o fim da Guerra da Restauração, tinha por objectivo reforçar a defesa da costa entre o forte de Sant´iago de Sesimbra e o forte do Outão.

Actualmente encontra-se aí instalado o Museu Oceanográfico do Parque Natural da Arrábida.

Forte de Albarquel


Construída á beira do Sado, edificou-se em 1643, por ordem de D. João IV, concluída no reinado de D. Pedro II.
Em termos etimológicos, diz-se que o termo "Albarquel" consiste na corrupção do árabe "Al-Seiq-el Muhamed" (capitão Muhamed). Outros dizem ser a corrupção da palavra de "Albarcar" (gado vacccum).

Este forte tinha o objectivo de reforçar opoder de fogo da fortaleza de S. Filipe. Hoje está aqui instalada uma unidade de artilharia do Exército Português, o que impede o acesso aos visitantes.

Torre de S. Tiago Outão


Distingue-se por ser uma torre de atalaia vigilante da Costa, construída com grande solidez e principiada pelos anos de 1390, por ordem de D. João I, sendo ampliada nos reinados de D. Manuel e D. Sebastião e finalizadas após a morte de D. João IV.

Segundo a tradição deste local, no período dos Roamanos, existia um templo dedicado ao Neptuno. Tanto que quando das reformas de D. João IV, foram achadas estátuas de Neptuno mutilada e algumas importantes moedas, dos Impérios de Júlio César, Augusto e Tibério.

Durante os acontecimentos de 1580, a fortaleza de Outão tomou com Setúbal partido por D. António Prior do Crato.Esta Torre chegou ainda a servir de prisão do Estado, sendo aqui encarcerado Gonçalo Pires de Carvalho, no ano de 1641, pelo crime de traição á pátria.

Actualmente, funciona como Hospital Ortopédico do Outão, fundado no ano de 1909.

Fortaleza de S. Filipe


Devido á guerra com os Países Baixos e a pretensão de conquistar a França e Inglaterra, D.Filipe II tratou de fortificar cinco postos na península.Por ser um posto de importância militar e comercial, o monarca mandou construír a Fortaleza de S. Filipe.

É de realçar que por ocasião da visita do monarca, com este objectivo defensivo (Setúbal de 1582), terá surgido a mais antiga planta conhecida da cidade.Constuído pelo risco e protecção da direcção do arquitecto militar italiano: Philippe Terzo (ou Tirsio), a obra passou para a direcção de Leonardo Furiano, no ano de 1598 e foram concluídas em 1600.

Localizado a 1.500 metros sa cidade, está sonbreiro ao Sado, podendo sua artilharia defender a barra e proteger a Fortaleza do Outão.Esta fortaleza posuía um novo tipo de estrutura abaluartada, surgindo como respota probabilística. A sua palna em estreal irregular por seis portas, permitiam grandes e diversificadas posições de tiro, como também, maior eficácia de defesa.As muralhas com inclinação ofereciam maior resistência ao impacto de projecteis. Uma segunda linha de muralhas avançadas, reforçava essa resistência, criando um duplo obstáculo.

Não possuindo qualquer tipo de torre, a fortaleza de S. Filipe incluía no seu interior um importante conjunto de edifícios, do qual se destacavam a residência do governandor e a igreja, por sua vez, revestida no seu interior com magníficos painéis de azulejo, assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes (1736).

Actualmente, nesta fortaleza está instalada uma Pousada integrada na Rede de Pousadas de Portugal. No entanto, é ainda possível disfrutar da beleza paisagística do bacia do Sado com suas apetecíveis praias, avistando a Península de Tróia e seu crescente desenvolvimento.

Gruta Santa Margarida


Junto á praia, uma gruta ermida de enorme extensão, em época de romaria, chegou a albergar cerca de 500 pessoas.Não há certeza quando foi adaptada a ermida, mas sabe-se que a esta se associa a beleza natural ao mistério de seu lugar sagrado.

Uma lenda conta que um Barco de Cristãos fugindo a um corsário mouro, se refugiou na gruta; na perseguição, o barco dos mouros encalhou e eles foram apanhados pela gente da terra. Por este motivo, no altar da ermida estava uma imagem de Nossa Senhora da Salvação; do lado direito a imagem de Santa Margarida e do lado esquerdo a imagem de Santo António.

De qualquer modo, sabe-se que esta gruta tem vindo a ser utilizada desde os tempos pré-históricos, como local sagrado.Em termos estéticos, a gruta é quadrada e tem o tecto coberto por um telhado devido á água que passa através das fendas da rocha.Até 1834 existia um ermitão para cuidar da Ermida, com casa própria mantida até 1759, pelos Duques de Aveiro.

Hoje encontra-se abandonada, mas no entanto não deixa de ser um local de extremo interesse a ser visitado.

Ermida de El Carmen


Localizada na Estrada que liga Azeitão á Arrábida, fundada pela Duquesa de Aveiro, D.ª Madalena Giron, esposa do II Duque D. Jorge que faleceu em Alcácer Quibir. A origem espanhola desta dama, filha do Duque de Ossuna, explica que fosse dado á Virgem o título de Senhora del Carmen.

Uma das tradições que se contam desta ermida, é aí ter-se conservado, sobre o arco cruzeiro, o Brasão dos Dq de Aveiro que escapará a ser picado por ordem de Marquês de Pombal. No entanto, o que se encontra lá hoje é o escudo real, possivelmente aí colocado quando D.ª Maria I mandou reparar em 1785.

El Carmen foi um importante centro de romagem, pelo que a Irmandade de Nossa Senhora do Carmo de Setúbal mandou construír junto a ela. Até á supressão das ordens religiosas em 1834, esta ermida teve um Ermitão com residência e cerca murada, um capelão que dizia missas aos Domingos e dias Santos.

Convento da Arrábida


A fundação deste Convento ficou a dever-se a um encontro nos finais do século XIV e inícios do século XV, de D. João de Lencastre - I Duque de Aveiro com Frei Martinho, um religioso castelhano da Ordem de S. Francisco, filho dos Condes de Santo Estevam de Puerto.

O frade confessou que desejava fazer uma vida eremítica, dedicada exclusivamente a Nossa Senhora e o Duque ofereceu-lhe a Serra da Arrábida.Alcançada a 23 de Janeiro de 1539 a liçença nescessária do Padre-Geral da Ordem franciscana, Frei Martinho veio para Portugal ns companhia do leigo Frei Martinho Navarro e instalaram-se na Arrábida a 23 de Setembro de 1539.

Frei Martinho de Santa Maria, como pediu que lhe chamassem, logo devotou a Nossa Senhora da Arrábida, iniciando um vida baseada na pobreza e na humildade.Conhece-se pouco relativamente á Imagem de Nossa Senhora da Arrábida que ali se venera. Imagem que até há cerca de três décadas existia na Capela e que se diz ter sido roubada, já não era a subsitituiu a original.O Padre-Geral da Ordem franciscana, Frei João Calvo visitou Arrábida a convite do Duque de Aveiro, sendo que a Ermida foi incorporada na Ordem bem como os Conventos.

Foi autorizada a construção do referido Convento, com a faculdade de receber noviços. Terminando-se assim a vida eremítica.Em 1542 iniciaram-se as construções para a instalação do Novo Convento.O Convento permanecerá vivo até á extinção das ordens religiosas em 1834.De facto é um dos mais curiosos Conventos da Ordem de S. Francsico, sobretudo pela sua implantação geográfica na encosta da Serra, virada ao mar, em local quase inacessível.

Em termos arquitectónicos, é um Convento rústico constituído por um agrupamento de pequenas celas, igrejas e outras dependências. As celas foram construídas junto ás encostas da Serra ou quase escavadas na própria rocha, tendo apenas as dimensões necessárias para cada monge se mover dentro delas, não podendo permanecer em pé; nas quais as luzes penetravam-se por pequenas brechas que, lhes permitiam contemplar maravilhas do panorama, que dali se avistava.

Nos finais do século XIX, o IV Duque de Palmela, seu proprietário, marido da Duquesa D. Relena Maria, mandou edificar na extremidade ocidental do Convento, uma nova dependência destinada a servir de habitação, que por sua vez não se destoa da antiga Casa Conventual. No local do Convento existe ainda uma cela de Frei Agostinho da Cruz e a Capela de Santa Catarina e a pouca distância do Convento a Ermida do Bom Jesus, a Capela de Santa Margarida bem como as casas do respectivo ermitão e as instalações do solitário.

Actualmente, o Convento que entretanto se tinha degradado, foi comprado pela Fundação Oriente.Hoje, ao passear pelas instalações do Convento é possível desfrutar de maravilhosos pátios cobertos de pitorescos cercas; aprazíveis jardins como o de S. Pedro de Alcântara, ao fundo do qual encontra-se a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. Junto a esta Ermida enocntra-se outra, onde se venerava um dos passo da paixão.

É possível visitar as instalações do antigo refeitório da Ordem dos franciscanos, bastante degradado. Nas depedndências do Convento existe ainda um valioso património de imagens, de épocas diferentes.São ainda de notar bandeiras e caixas de esmolas dos círios, o mais antigo dos quais era o de Lisboa, como já se referiu.

Arrábida - Serra Mãe


A história desta Serra remonta a tempos antigos. A presença romana encontra-se largamente documentada. Existiram lugares habitados do Portugal romano em localidades circuvizinhas, e na própria Serra da Arrábida veêm-se ainda numerosas cetárias, onde se fazia a salga do peixe e do marisco.

O domínio árabe está assinalado na designação da Cordilheira, que segundo a interpretação mais aceite, siginifica um "Convento Fortificado", ou "Rebate", onde os monges guerreiros, tal como sucedia entre os cristãos, se exercitavam na arte da guerra sob a égide religiosa.

Para além do seu adimirável aspecto paisagístico, a Serra da Arrábida possui outros atributos, dos quais botânicos e zoológicos têm um interesse cientifico excepcional quer pela sua persistência de núcleos de vetetação natural quer pela existência de espécies animais e vegetais, algumas das quais exclusivas da região.

A Serra tem, ainda, um notável interesse arquitectural, devido á presença de um pequeno Convento Franciscano invulgar e também por diversas edificações existentes na encosta.
Arrábida possui um tradição de cultura, atraindo desde sempre, intelectuais, poetas e eremitas que se inspiravam no silêncio e na contemplação da extraordinária beleza do local.

Tróia - A Ilha de Acála


A península desta região é uma faixa de areia na margem esquerda do estuário do Sado com cerca de 17 km de comprimento por cerca de 1, 5 km de largura. Não se sabe a origem do nome Tróia.

Na época romana, esta local era uma ilha do delta do Sado, denominada de Ilha de Acála.Em 1622, João Baptista Lavanha, refere o local: "onde ainda se vêm os vestígios de tanques em que se salgaram os atuns, e outros pescados, aparecem ruínas de outros edifícios de aquela cidade e delas se tiram estátuas, colunas e muitas inscripções".

Ainda no terceiro quartel do século XVIII, tiveram lugar as primeiras escavações arqueológicas por iniciativa da futura rainha D. Maria I. Nessa ocasião foram postas a descoberto as casas da chamada Rua da Princesa.

Em 1850 a Sociedade Arqueológica Lusitana promoveu novas escavações arqueológicas que incidiram na zona residencial da rua acima mencionada.Nos começos do século XIX, descobriram-se estruturas fabris, e sobretudo, de carácter religioso, como o batistério, de que não restam vestígios.

O complexo industrial em Tróia terá começado a funcionar ainda na época da dinastia dos Júlios-Cláudios e o seu abandono deu-se no século VI d. C., quando o fim do Império levou ao declínio das rotas comerciais e dos mercados consumidores. A evolução da ocupação desta região está associada à própria história política do Império Romano.

As Ruínas de Tróia

Em Tróia encontram-se vestígios da actividade industrial, da vida urbana e religiosa.
Da industria - são hoje bem visíveis os vários núcleos de fábricas. As fábricas eram formadas por tanques (cetárias), de diferentes dimensões. Os tanques de maior dimensão destinavam-se ao fabrico da salsamenta e os de dimensão média e pequena ao fabrico dos molhos.As fábricas eram cobertas e tinham muros a delimita-las. De assinalar os poços para o fornecimento de água doce e as caldeiras distribuídas ao longo do complexo.

Da vida urbana - são hoje visitáveis as ruínas do conjunto de habitações da Rua da Princesa e as termas. As habitações eram edifícios de dois pisos, conforme o comprovam os buracos do travejamento do piso superior.

Este piso era decorado com estuques pintados.Dos edifícios públicos só foi, até ao presente, identificado o conjunto termal. Nas termas de Tróia, de pequena dimensão se comparadas com o conjunto de Miróbriga, é possível observar o "caldarium" (zona aquecida) e o "frigidarium" (zona não aquecida). São desconhecidas as cornologias referentes aos períodos de construção e abandono do edifício das termas e das casas de habitação.

Da vida religiosa - destaca-se a basílica paleocritã. De quatro naves, com forma irregular.O carácter religioso do local parece ser anteirior á construção da basílica. Aí foi exumado um políptico esculpido que tem sido interpretado como uma representação relacionado com o cult mitraico em que se vê os deuses Sol e Mitra.

O culto mitraico de origem persa, chegou ao Ocidente no decorrer do século II d. C., através das legiões romanas, implantando-se entre os grupos económicos mais abastados.Necrópole - as prácticas de enterramento em Tróia permitem acompanhar um período temporal que vai desde o século I d. C ao século VI d.C e analisar a evolução dessas prácticas e atitutdes mentais perante a morte.Um primeiro momento leva-nos á práctica de inceneração (queima dos corpos), comum a todos os povo indo-europeus e naqual incluem os romanos e as populações indígenas da península.

Esta práctica está representada pela sepultura de Galla (datada do século I d. C), um monumentoepigráfico que se encontra no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setmaisubal. Nestas sepulturas as cinzas estavam acompanhadas por uma taça de bronze, um púcaro de cerâmica, dois ungentários em vidro, duas lucernas do século I d.C. e instrumentos de toilette e de lavoures em osso.

A partir do século II d.C. começou a impor-se lentamente a práctica da inumação como consequência da crescente influência das religiões oriundas da Pérsia do Mediterrâneo Oriental. Está neste caso o fragmento do sarcófago, descoberto sob a basílica paeocristã, onde está esculpida uma cena de transporte do morto em carro de bois para um espaço delimitado por uma rede e defendido por um animal feroz.

Datado de finais do século II d. C., ou do século III d. C., o sarcófago, pela sua qualidade artística reflecte a adesao dos grupos sociais mais abastados á nova religião.Próprio do período com domínio da práctica da inumação é o mausoleu. Construído numa época em que o complexo industrial já estaria em regressão e portanto com fábricas abandonadas, o mausoléu, de planta rectangular e paredes reforçadas por contrafortes, tem o pavimento completamente preenchido por sepulturas de inumação e nichos nas paredes onde poderiam ter sido depositadas urnas.

Nas traseiras e na frente do mausoléu, encontram-se igualmente espaços funerários. Não possuem cronologias seguras para estas zonas funerárias. É possível que tivessem sido utilizados numa época em que o complexo industrial já estava em acentuado estado de abandono.

No espaço das traseiras foram utilizadas como urnas, ânforas produzidas no final do Império e no espaço da frente do mausoléu utilizaram-se os próprios tanques para os enterramentos.O carácter religioso do local manteve-se até aos nossos dias através da Capela de Nossa Senhora da Tróia.

Setúbal Romana


Os vestígios materiais da época romana em Setúbal sitam-se, cronologicamente, entre o século I e V d.C. Predominam os vestígios da indústria de preparados de peixe, dos quais o único visível é o conjunto de Cetárias da Travessa Frei Gaspar, onde se encontra o posto de informação da Região de Turismo da Costa Azul.

Os elementos que hoje podemos observar no Posto de Turismo, faziam parte de uma fábrica idêntica ás de Tróia. Foi utilizada entre os século I e V d.C.. Para além da fábrica da Travessa frei Gaspar, outras foram assinaladas e estudadas, na Praça do Bocage e na Rua António Januário da Silva.

Outros elementos identificados da época romana, situam-se numa área ao longo da Rua Direita do Troino até á zona de Palhais/Fontainhas passando pelo Lg da Misericórdia e Rua Antão Girão.
No início do século XX, foi descoberta uma necrópole nas proximidades do Miradouro. Esta necrópole, utilizada entre os séculos II e IV d.C., era de inumação.

Os elementos conhecidos permitem afirmar que a Setúbal da época romana se estendia por uma área que abrange a cidade medieval. Na zona do Miradouro situava-se o cemitério. A área industrial estendia-se ao longo da faixa anexa á actual Avenida Luisa Todi e Praça do Bocage.

Com o fim do Império romano e das rotas comerciais, os prepatrados de peixe de Setúbal, tal como os de Tróia e de toda a Lusitânea deixaram de ter acesso aos mercados do Mediterrâneo, entrando a cidade em declínio. Acrescenta-se ainda o facto de a cidade não oferecer condições de segurança.

Na margem esquerda do estuário do Sado conhecem-se vestígios da industria de preparados de peixe no Creiro, Rasca, Comenda, Cachoferra, Pedra Furada e Santa Catarina.

A Indústria Conserveira em Setúbal


A indústria conserveira em Setúbal está muito ligada à história da cidade neste último século. Se esta actividade não tivesse surgido, quer a economia, quer a população e também os valores culturais, assim como o traçado urbano, não seriam possiveis. Gerações e gerações de Setúbal tiveram as suas vidas ligadas às conservas de peixe.

É importante falar dos principais momentos de evolução da industria conserveira em Setúbal. O facto do nosso país ter uma imensa costa marítima banhada pelo Atlântico, rico em pescado, contribuiu para o desenvolvimento da pesca, conseguindo transformar certos pequenos aglomerados em verdadeiras cidades.

Os testemunhos mais significativos da actividade conserveira em Portugal datam da época romana. Após esta, tal actividade terá decaído como indústria de grande dimensão, sendo só no século XIV que se multiplicam referências a esta actividade.

Nos começos do século XV, as conservas eram indispensáveis no abastecimento das embarcações empenhadas na expansão, o que prova o desenvolvimento que esta actividade teve na época. Pode-se falar de alguns períodos ou etapas de evolução desta indústria em Setúbal

I Período (até 1855)

Até esta data são usados apenas processos físico-químicos de conservação de cariz arcaico, baseados na prensagem e salga (eventualmente na secagem e fumagem) de peixe que depois era acondicionado em barricas. Falamos de um processo remoto, cuja introdução em Portugal data do período romano e foi utilizado intensamente no estuário do Sado.

II Período (até 1855)

Uma das características é a introdução na actividade conserveira da vila de Setúbal do método Appert, com base na esterilização. São instalados 2 ou 3 pequenas fábricas laborando com os novos métodos, verdadeiras percursoras da grande indústria que viria a marcar Setúbal. Usavam parcos meios técnicos e humanos, não usando ainda o vapor. As produções eram diversificadas.

III Período (1880 a finais de 1920)

O ano de 1880 marca a chegada dos industriais franceses a Setúbal e termina em fins dos anos 20 do presente século. Em 1882 as conservas foram a principal fonte de riqueza desta cidade, suplantando a tradicional produção salineira.

Um factor que veio a perturbar o desenvolvimento das conservas setubalenses foi a I Grande Guerra Mundial. Este período é marcado do ponto de vista tecnológico pela introdução do vapor (como força motriz e aplicado à cozedura de peixe e à esterilização de lata) e pela mecanização do fecho da lata através do aparecimento da máquina cravadeira.

As conservas servidas por milhares de braços, vão ser durante muito tempo a indústria exclusiva na cidade. Só a partir dos anos 20 esta indústria setubalense revela os primeiros sintomas de crise. Processos tradicionais de conservação (da época romana a 1855).

Em Setúbal, a exploração de recursos do mar e do rio datam de um passado remoto. As excepcionais condições geoclimáticas e a riqueza piscicola das águas mostraram ou conduziram desde cedo a uma intensa actividade de pesca e recolecção de mariscos. No entanto, os primeiros testemunhos da actividade conserveira datam do período da ocupação romana.

Entre esses vestígios é legítimo destacar a estação arqueológica de Tróia, situada na margem esquerda do Sado defronte a Setúbal. Segundo alguns especialistas, terá crescido aqui, um dos mais importantes centros de conserva de peixe de todo o mediterrâneo ocidental.

A abundância das cetáreas, onde se procedia à maceração e salga de peixe, mostram bem um existente predomínio industrial no centro de Tróia. O centro industrial de conservas de peixe do Sado no século I entrou em decadência e a partir do século V muitos dos tanques de conservação passam a ser abandonados ou reutilizados como estruturas funerárias.

Setúbal conquista na época romana uma posição de destaque como produtor e exportador de sal por todo o país.A actividade conserveira, ainda que indirectamente, surge testemunhada por um documento de 1431 que autoriza os pescadores de Sesimbra a salgar o seu peixe e a vendê-lo fora da povoação excepto quando o comércio fosse exercido por Setúbal e as técnicas de fumagem surgem testemunhadas no foral manuelino.

O século XIX é de transição da indústria conserveira onde os processos tradicionais coexistem com as técnicas modernas de esterilização. Existiram duas unidades que utilizavam o método de conservação que combinava a prensagem e a salga: Fábrica de D. Fidel, um espanhol que se instalou em Setúbal por volta de 1830. Situava-se perto do actual mercado do Livramento.

A segunda unidade situava-se na praia do Cadoz. O terreno foi aforado em 1836 pela Câmara Municipal de Setúbal.A introdução do método Appert nesta cidade, deveu-se a Feliciano António da Rocha e a Manuel José Neto que montaram em 1855 a sua fábrica de " géneros alimentícios" com diferentes qualidades de peixe e principalmente sardinha em conserva de azeite, dentro de caixas de lata hermeticamente fechadas, sita no Largo da Anunciada.Em 1861 laboravam em Setúbal três fábricas: a que acima foi mencionada e a de Gustavo Carlos Herlitz e Cª.

Antes de se introduzir o vapor, utilizava-se a cozedura em banho-maria ou até dentro de fornos para cozer pão. Houve muitos industriais que durante anos estufaram as sardinhas em pequenos fornos que tinham nas suas fábricas, designando-se este processo por fornear o peixe.

A terceira etapa da implantação da indústria conserveira é primeiramente marcada por factores exteriores ao processo de desenvolvimento desta actividade em Setúbal. A primeira grande crise desta indústria em França (1880) foi provocada por uma escassez de peixe nas suas águas, o que fez com que muitos industriais franceses se fixassem em Portugal.

Setúbal com as suas tradições nesta actividade constituiu um dos centros de atracção para estas pessoas, cuja vinda marca uma nova etapa na implantação e desenvolvimento da indústria conserveira na cidade setubalense.A cravadeira vai modificar as condições de produção e alterar as relações sociais das empresas conserveiras.

A sua introdução revolucionou o fecho da lata de conserva que era feito á mão pelos soldadores. Este progresso técnico é pela primeira vez referido pela imprensa setubalense quando os fabricantes da Galiza convidaram os de Setúbal a apreciarem as vantagens do seu funcionamento. Os conflitos que estas cravadeiras originaram, provocou um dos maiores na história desta indústria de Setúbal.

Setúbal Islâmico


A conquista da península de Setúbal e do vale do Sado pelos exércitos islâmicos, (árabe e berbere), comandados por Abdalziz, terá ocorrido entre os anos 712 e 715. Os defensores cristãos, em minoria, não terão dificultado a acupação das cidades de Alcácer do Sal e Santiago do Cacém.
Terminada a conquista da Península Ibérica e consolidado o domínio das cidades é fundada em 756 a dinastia Omíada que a partir de Córdova, elevará a civilização Al-Andaluz (Península Ibérica Muçulmana) a um elevado prestígio. O Al-Garb -Andaluz (o ocidente da Península Ibérica) ficou sujeito á província de Badajoz, Silves e Mértola.
No reino de Badajoz, chefiado pela família Banus L-Aftas, dominara as terras entre o rio Douro eo vale do Sado. Alcácer do Sal era o principal castelo e centro urbano deste reino, na costa atlântica a sul do Tejo. As guerras e rivalidades entre o reino de Badajoz e os reinos vizinhos de Silves, Mértola e Sevilha, facilitaram o avanço cristão para o Sul e em 1085, Afonso VI de Leão e Catela conquistou Toledo e aproximou-se de Badajoz e Sevilha.

Os chefes dos reinos taifas solicitaram auxílio ao Emir Almorávida de Marraquexe, Yusuf B. Tasufim que conseguiu conter a ofensiva cristã. Aproveitando o prestígio alcançado criou um Império que abrangia todos os territórios islâmicos da Península Ibérica e Marrocos.Esta nova realidade provocou a exaltação da fé islâmica e intolerância religiosa.

A morte do Emir inícia o declínio do Emirado Almorávida. No Al-Garb Al-Andaluz, os governadores de Mértola, Beja e Silves aproveitaram o declínio do Emirado Almorávida e tornam-se autónomos em 1144, iniciando um novo período de reinos taifas. Com o passar dos tempos começaram a surgir rivalidades e guerrass entre estes reinos taifas, que foram aproveitadas, e muito bem pelo Reino de Portugal (a norte) e o Califado Almoada (a sul).

Em 1147, o primeiro Rei de Portugal, conquistou as castelos de Almada, Sesimbra e Palmela. No ano 1157 caem Beja e Santiago do Cacém, seguidos de Alcácer do Sal. Em 1190, o califado Almoada Al-Mansur lançou uma grande ofensiva que conduziu á reconquista dos castelos ao rei de Portugal, então D. Sancho I.

Sendo reconquistados nesta ofensiva, os Castelos de Santiago do Cacém, Alcácer do Sal, Sesimbra, Palmela e Almada. Em 1200, o exército de D. Sancho, retoma os castelos perdidos anteriormente

Setúbal e sua história


Localizada estratégicamente junto ao rio Sado, na costa litoral sul do país, constítui uma região bastante propícia á fixação humana desde o Paleolítico Inferior passando pelo período do Bronze Final e inícios da Idade do Ferro.
O rio Sado exerceu sempre grande atracção também aos povos do Mediterrâneo Oriental, nomeadamente os romanos, que deixaram em Setúbal, legados importantíssimos, sobretudo no que respeita a salgadeiras de peixe, ânforas, entre outros.

Do período que assistiu ao abandono progressivo dos romanos desta região ao período marcado pelas invasões árabes, Setúbal passou por uma conjuntura de estagnação, posicionando-se de forma bastante periférica, enquanto outros aglomerados se desenvolviam, como Palmela e Alcácer do Sal.

Setúbal tornou-se então um "satélite" que "orbitava" em torno dos últimos. Sua posição era agora de povoação pequena e insignificante. Essa condição na qual se encontrava Setúbal revelou-se temporária, pois com a reconquista Cristã e com o estabelecimento da Paz, ela se tornou novamente atraente á fixação populacional.

Parte da população que outrora havia-se recolhido junto á Praça de Palmela e Alcácer do Sal, desceu até á margem direita do Sado onde acabou por se instalar. No entanto, não foram fáceis nem pacíficas os primeiros tempos da nova povoação inserida em território de Concelhos já constituídos (Palmela, Santiago do Cacém, Alacácer do Sal), pois com uma extensão relativamente diminuta, Setúbal teve de se afirmar, "lutando" contra esses Concelhos.

Neste sentido, no ano de 1249 é concedida a esta localidade o seu Foral, por D. Paio Peres, Mestre da Ordem Militar de Santiago de Espada, nascendo assim, oficialmente a "Villa de Setubal". Entre 1325 e 1375, ergueram-se as primeiras muralhas de Setúbal (muralhas medievais) , que deixam de fora os arrebaldes de Troino e Palhais, estes que futuramente seriam incorporados na muralha setecentista.

O Século XV, foi marcado pelo acentuado desenvolvimento económico (aumento dos rendimentos obtidos com o sal e pescado e direitos cobrados na entrada para o porto de Setúbal, destavam-na como fundamental para a empresa das descobertas), e também pela instalação dos primeiros conventos franciscanos na localidade: a dos religiosos em 1410 e o das religiosas em 1490 - Convento de Jesus. Este último é ainda hoje considerado por muitos o ex-librís de Setúbal .

O período quatrocentista coincide ainda, com aquele que parece ser um dos momentos de importância assinalável de Setúbal: predilecção de D.João II pela Vila; Setúbal passou a ser palco de episódios importantes na política centralizadora do poder régio. A predilecção do Rei por esta localidade traduziu-se em benfeitorias, como a construcção do aqueduto para conduzir a água á Vila; edificação da Praça do Sapal, obras estas que foram posteriormente ampliadas por D.Manuel .

Em 1525, D. João III, concede a Setúbal o título de "Notável Villa". Em 1553, as freguesias de Santa Maria e São Julião são desmembradas e ampliadas, criando assim mais duas freguesias: S. Sebasitão (nascente) e Nossa Senhora da Anunciada (poente). Nota-se aqui um "continuação" da predilecção dos monarcas por esta localidade.

O Século XVI marca ainda uma virada no estatuto de Setúbal quando em 1580 apoia D. António Prior do Crato e é cercada por tropas castelhanas do Duque de Alba. Sendo esta localidade dois anos depois visitada por Filipe II, mandando aí construír a Fortaleza de São Filipe.

No século XVII, Setubal atinge seu auge de prosperidade quando o sal toma um papel preponderante como moeda para a troca e retribuição de ajuda militar ao apoio fornecido pelas Nações Europeias a Portugal. Em resposta a este incremento, são construídas após 1640 as novas Muralhas de Setúbal, que incluíam novas áreas como a do Troino e Palhais. Esta prosperidade foi interrompida com o cataclismo de 01 de Novembro de 1755. O terramoto associado á furia do mar e ao fogo, afectaram de forma drástica as freguesias de S.Julião e Anunciada.

Apenas no século XIX, Setúbal conheceu o incremento que outrora havia perdido. Nesse sentido, em 1860 chegam a Setúbal: o caminho de ferro; iniciam-se as construcções para a criação da Av. Luísa Todi e Setúbal é elevada a Cidade.

Este Século foi também marcado, pelo início da laboração das primeiras fábricas de conservas de sardinha em azeite e, em paralelo, ganham fama as laranjas e o moscatel de Setúbal. O florescimento de Setúbal reflecte-se na criação de novos espaços urbanísticos: crescimento da Avenida Luísa Todi; parte da Avenida dos Combatentes e criação do Bairro Salgado.

O final do Século XX marca a elevação da cidade a diocese (1975), e a criação de duas novas freguesias (Pontes/ Gâmbia e Sado) em 1985. Hoje, a cidade de Setúbal continua a crescer a um ritmo cada vez mais acelerado, incorporando áreas dantes rurais.
A acompanhar este crescimento está o Programa Polis que decerto contribuíra e muito para a elevação desta magnífica cidade, não apenas em termos regionais como também nacionais.