quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Setúbal e sua história


Localizada estratégicamente junto ao rio Sado, na costa litoral sul do país, constítui uma região bastante propícia á fixação humana desde o Paleolítico Inferior passando pelo período do Bronze Final e inícios da Idade do Ferro.
O rio Sado exerceu sempre grande atracção também aos povos do Mediterrâneo Oriental, nomeadamente os romanos, que deixaram em Setúbal, legados importantíssimos, sobretudo no que respeita a salgadeiras de peixe, ânforas, entre outros.

Do período que assistiu ao abandono progressivo dos romanos desta região ao período marcado pelas invasões árabes, Setúbal passou por uma conjuntura de estagnação, posicionando-se de forma bastante periférica, enquanto outros aglomerados se desenvolviam, como Palmela e Alcácer do Sal.

Setúbal tornou-se então um "satélite" que "orbitava" em torno dos últimos. Sua posição era agora de povoação pequena e insignificante. Essa condição na qual se encontrava Setúbal revelou-se temporária, pois com a reconquista Cristã e com o estabelecimento da Paz, ela se tornou novamente atraente á fixação populacional.

Parte da população que outrora havia-se recolhido junto á Praça de Palmela e Alcácer do Sal, desceu até á margem direita do Sado onde acabou por se instalar. No entanto, não foram fáceis nem pacíficas os primeiros tempos da nova povoação inserida em território de Concelhos já constituídos (Palmela, Santiago do Cacém, Alacácer do Sal), pois com uma extensão relativamente diminuta, Setúbal teve de se afirmar, "lutando" contra esses Concelhos.

Neste sentido, no ano de 1249 é concedida a esta localidade o seu Foral, por D. Paio Peres, Mestre da Ordem Militar de Santiago de Espada, nascendo assim, oficialmente a "Villa de Setubal". Entre 1325 e 1375, ergueram-se as primeiras muralhas de Setúbal (muralhas medievais) , que deixam de fora os arrebaldes de Troino e Palhais, estes que futuramente seriam incorporados na muralha setecentista.

O Século XV, foi marcado pelo acentuado desenvolvimento económico (aumento dos rendimentos obtidos com o sal e pescado e direitos cobrados na entrada para o porto de Setúbal, destavam-na como fundamental para a empresa das descobertas), e também pela instalação dos primeiros conventos franciscanos na localidade: a dos religiosos em 1410 e o das religiosas em 1490 - Convento de Jesus. Este último é ainda hoje considerado por muitos o ex-librís de Setúbal .

O período quatrocentista coincide ainda, com aquele que parece ser um dos momentos de importância assinalável de Setúbal: predilecção de D.João II pela Vila; Setúbal passou a ser palco de episódios importantes na política centralizadora do poder régio. A predilecção do Rei por esta localidade traduziu-se em benfeitorias, como a construcção do aqueduto para conduzir a água á Vila; edificação da Praça do Sapal, obras estas que foram posteriormente ampliadas por D.Manuel .

Em 1525, D. João III, concede a Setúbal o título de "Notável Villa". Em 1553, as freguesias de Santa Maria e São Julião são desmembradas e ampliadas, criando assim mais duas freguesias: S. Sebasitão (nascente) e Nossa Senhora da Anunciada (poente). Nota-se aqui um "continuação" da predilecção dos monarcas por esta localidade.

O Século XVI marca ainda uma virada no estatuto de Setúbal quando em 1580 apoia D. António Prior do Crato e é cercada por tropas castelhanas do Duque de Alba. Sendo esta localidade dois anos depois visitada por Filipe II, mandando aí construír a Fortaleza de São Filipe.

No século XVII, Setubal atinge seu auge de prosperidade quando o sal toma um papel preponderante como moeda para a troca e retribuição de ajuda militar ao apoio fornecido pelas Nações Europeias a Portugal. Em resposta a este incremento, são construídas após 1640 as novas Muralhas de Setúbal, que incluíam novas áreas como a do Troino e Palhais. Esta prosperidade foi interrompida com o cataclismo de 01 de Novembro de 1755. O terramoto associado á furia do mar e ao fogo, afectaram de forma drástica as freguesias de S.Julião e Anunciada.

Apenas no século XIX, Setúbal conheceu o incremento que outrora havia perdido. Nesse sentido, em 1860 chegam a Setúbal: o caminho de ferro; iniciam-se as construcções para a criação da Av. Luísa Todi e Setúbal é elevada a Cidade.

Este Século foi também marcado, pelo início da laboração das primeiras fábricas de conservas de sardinha em azeite e, em paralelo, ganham fama as laranjas e o moscatel de Setúbal. O florescimento de Setúbal reflecte-se na criação de novos espaços urbanísticos: crescimento da Avenida Luísa Todi; parte da Avenida dos Combatentes e criação do Bairro Salgado.

O final do Século XX marca a elevação da cidade a diocese (1975), e a criação de duas novas freguesias (Pontes/ Gâmbia e Sado) em 1985. Hoje, a cidade de Setúbal continua a crescer a um ritmo cada vez mais acelerado, incorporando áreas dantes rurais.
A acompanhar este crescimento está o Programa Polis que decerto contribuíra e muito para a elevação desta magnífica cidade, não apenas em termos regionais como também nacionais.

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